Uma colectânea d'A Besta [A BESTA 009 Digital]

by A Besta

/
  • Streaming + Download

     

1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.

about

No dia 25 de Janeiro o colectivo A Besta apresentou o seu primeiro momento festivaleiro, em colaboração a Associação Terapêutica do Ruído.

«"(+) uma noite d' A Besta" começa pela tarde, a partir das 14h na Estudantina Recreativa de São Domingos de Rana(...)
No cartaz vários projectos dos dois colectivos. Do lado da ATR estarão presentes dOISsEMIcIRCUITOSiNVERTIDOS e Catapulta. Por parte d' A Besta são presença confirmada os projectos Saraband, a-nimal e a conspiração DESLIZE + O Poema (A)Corda. Destaque ainda para a presença dos espanhóis RAISA.»

pontoalternativo.com/noticia/2015/01/23/mais-uma-noite-da-besta-este-domingo-em-sao-domingos-de-rana

ruidosonoro.com/2015/01/23/uma-noite-da-besta-no-proximo-domingo/

ARTWORK:
Desenho de Nuno Mangas-Viegas
Trabalhado por André Pires Calvário.

credits

tags

license

about

A Besta Lisbon, Portugal

A BESTA é um colectivo editoral independente de música alternativa, com princípios assentes na filosofia do it yourself.

contact / help

Contact A Besta

Streaming and
Download help

Track Name: DESLIZE & O Poema (A)Corda - Enunciação do corpo sobre os laranjais
http://aequum-equidade.blogspot.pt/2013/11/enunciacao-do-corpo-sobre-os-laranjais.html


Anoitece sobre os laranjais...
turva-se a composição do rosto
a definição
o corpo fecha-se, talvez em cubo.
Impressionam os céus, sem luzes
para guiar os exércitos
- a memória ergue espadas onde plantara as glicínias -
Um tímido rumor de camas
anunciando o rasgo do corpo...
és tu quem sai, vasculhando pelas chaves
apagando dos mapas o sul das tardes
és tu a jangada que se arreda no mar
sonhando já o deserto milagre das ilhas,
negando a urgência da linguagem e o amargo sarau.
Implacável, este trémulo desenho da lembrança
quando as visões exemplares se diluem em teorema
nas paredes. o corpo: erma península ardida.
Anoitece.
e sou pedra, o furtivo pasto
a dura duna sobre a nuca...
a demorada escadaria para o altar
onde estás.


Posfácio:

Esta é a mão, o seu milagre
digo mão como quem repete um tempo
talvez o cansado início de uma rota
o momento da órbita que regressa ao ovo
Digo mão segurando o tempo
como quem colhe do peito alguma calma
talvez uma pequena casa abrigando a chama do vento.

Digo passado e uma súbita raiva se levanta
um candeeiro a petróleo pela noite
talvez a divindade tocando o rosto.

Digo vida e ei-la, vivente
como quem evoca séculos e séculos de migrações
para dentro do segundo, este...
Digo pedra e terra e mar
e o seu sabor aporta nos lábios
as suas temperaturas - graus de febre -
na mão tomadas.
Digo estrelas e alma
e a lágrima surge
o milagre da evocação emociona-se...

Digo: anoitece sobre os laranjais...
e tudo regressa à solidão do corpo
uno, ermo
nu


(Nuno Mangas-Viegas : Tavira, 7 de Setembro de 2013)
Track Name: Saraband - Bruxuleando o tempo
Uma saudação com sabor de eterno: um adeus.
Track Name: a-nimal - 1984
Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força.
Track Name: O Poema (A)Corda & DESLIZE - O Deserto
http://aequum-equidade.blogspot.pt/2014/01/o-deserto.html

- Sou um corpo parado olhando, absorto, o deserto! dizia ele
eu não dizia nada. Ainda nada me rebentava nas mãos.
Era meio-dia. O sol queimava nos cabelos uma chama nova.
Caiam gotas gordas e frias sobre as costas ardendo,
caiam como caem os corpos de Homens maduros
violentamente...
corpos intactos e maduros de Homens caindo de algumas árvores.
era meio-dia.
Entravam rápidas nas costas,
acendiam por dentro os esconderijos, rebentavam
a sua luz nas hortas menos propensas.
Ele estava parado, absorto
partindo em pequenas porções para dentro das coisas do deserto.
- Sou um corpo parado, loucamente parado. dizia.
As coisas caiam-lhe nas costas vermelhas
entravam, como Homens maduros, violentos
caindo das árvores para dentro das costas. parecia doer.
Eu não dizia nada. e já nas mãos
cresciam sistemas, coisas do deserto complicando-se.
Entravam muito frias. ardia. fazia rir.
- Sou um corpo loucamente parado, complicando o deserto. dizia.
corpos inteiros caindo de árvores inteiras
duros por fora, com casca, caindo...
entrando, rebentando nos esconderijos a sua luz prometida,
iluminando as costas. uma chama nova.
Eu não dizia nada. e já tudo saia de mim, violentamente
contra as coisas do deserto. era meio-dia.
- Sou um corpo complicado, loucamente parado. Sou o deserto! dizia ele.
o deserto nada dizia.

(Nuno M.-V. Tavira: Jan/2014)
Track Name: Saraband - Cultura Parasita
Não quero ser de companhia.